Coringa crítica do filme, doenças mentais
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Crítica | Coringa, quem é o verdadeiro vilão?

Até o momento, não consegui encontrar ninguém que não tivesse saído perturbado do cinema. As poucas cenas “cômicas” no filme Coringa, me fez ficar confusa se era uma manobra para descontrair, um chamado “respiro” ao público ou se simplesmente faziam parte do universo sinistro do personagem.

O filme lançado no começo do mês, tem divido opiniões: a violência foi demais ou só mais uma forma de refletir a violenta sociedade na qual eu e você acordamos imersos todos os dias? Por isso, essa critica demorou tanto para sair.

Critica do filme coringa pitch literario
Reprodução

Hipnotizador, o riso criado por Joaquim Phoenix ecoa nos seus ouvidos e vai até os seus segredos e vontades mais obscuras. Cheio de dúvidas e com uma grande expectativa, você senta na poltrona do cinema e jura para si mesmo que não se deixará levar, que observará a distância esse louco sádico. Quando se dá por si, percebe que está ao lado de Arthur, sentindo o cheiro de cigarro e das ruas sujas de Gotham.

Afinal, quem é o Coringa?

Arthur, não nasceu Coringa, a sua trajetória de vida em meio a uma relação familiar conturbada, uma cidade desigual e o descaso a sua saúde mental pelo estado o tornou louco, literalmente louco ou livre, tanto faz… Esse longa não foi feito para ter sentido, uma moral no final da história. Coringa, é o trecho de uma vida que poderia ter surgido em qualquer lugar, em qualquer cidade em qualquer ser humano que tivesse, diariamente, a sua dignidade literalmente roubada.

Coringa ou o personagem que deu liberdade e glória ao comum e miserável Arthur é um longa para deixar dúvidas, para perturbar e incomodar até os mais seguros de si. Independente da sua posição posição política ou visão da sociedade, é estúpido ignorar o que o longa traz como critica, como construção conceitual de um dos personagens mais intrigantes do universo dos quadrinhos e agora na existência de um longa-metragem absurdamente bem elaborado.

Técnica

Coringa tem como técnica de filmagem, a famosa “câmera na mão” que permite o efeito de trazer para dentro o espectador. O movimento solto da câmera, acompanham o ritmo da cena e do movimento dos atores. Assim, sem perceber, quem assiste logo se sente parte do filme.

Alinhado a uma fotografia impecável e com uma cenografia muito bem pensada, o filme ganha o clima dos antigos quadrinhos impressos porém com o clima sombrio dos filmes de suspense e com uma pitada de horror.

E como não poderia, a sonografia torna-se a cereja do bolo. Sons intensos, abafados e caóticos, nem é possível imaginar que o orçamento de míseros 55 milhões renderia não só aplausos mas também recordes nas bilheterias do mundo todo.

O filme foi produzido com elegância, principalmente por colocar easter eggs e referências que iam dos quadrinhos até os longas já gravados do Batman e do Coringa.

Os easter eggs mais comentados na internet são sem dúvida a aparição do futuro mordomo de Bruce, Alfred Pennyworth e a similaridade entre Coringa e o Rei da Comédia

Crise de segurança

Alguns países, viram o longa Coringa com receio. Quando o L’Arrivée d’un Train à La Ciotat dos Imãos Lumière foi exibido em 1895 a público, as pessoas ficaram com medo e correram do salão.

Assim como o primeiro vídeo gravado, é também estupido ignorar o grande potencial de crises de segurança que o filme é capaz de gerar. Temas delicados como política, saúde pública, distúrbios mentais e desigualdade, além da violência, crimes e corrupção, tornam o filme um sinal de fogo na mente de muita gente.

No Brasil, o medo não seria diferente. Na situação conturbada que vivemos, de esquerda e direita, ideologias, caos público e corrupção é bom, infelizmente estar preparado.

O desafio das doenças mentais

Tradução: o pior lado da doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não a tivesse

No Brasil e no mundo, as doenças mentais são consideradas o mal do século XXI. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 85% dos brasileiros e das brasileiras, possuem algum tipo de doença mental. O Brasil, é um dos países com o maior número de ansiosos.

As novos hábitos de consumo e de comportamento, têm levado a população a um nível absurdo de stress. Esse novo ritmo, não é acompanhado pelas estruturas voltadas para a saúde mental, pouco são os centros voltados a essas doenças assim como o investimento nelas. Essa situação é tratada no filme e está longe de ser ficção, infelizmente.

O que você achou do filme? Comenta ai!

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